A mudança que você não vê: como a tecnologia influencia em como pensamos e no que queremos

Temos que ser realistas, 30 anos atrás nunca imaginaríamos que estaríamos no ponto em que estamos hoje. Claro, já era previsto o surgimento de tecnologias inovadoras e pontos de virada, mas o que é difícil prever é a forma como nós, seres humanos, nos adaptamos e nos moldamos a essas tecnologias.

O ponto é, a tecnologia alterou consideravelmente nossa estrutura mental. Quem discorda que a forma como vivemos hoje é completamente diferente da forma como vivíamos 30 anos atrás?

Entretanto, várias vezes demoramos a entender os padrões de mudanças, as grandes ondas. Sempre sabemos que as coisas estão mudando, sentimos e vemos tudo acontecer diante dos nossos olhos, mas só entendemos realmente o que se passou e as consequências daquilo, anos depois.

Hoje, as ondas de mudanças são cada vez mais frequentes. Pense o seguinte, você consegue imaginar sua vida sem WhatsApp? Pra mim é quase impossível me lembrar de um tempo em que essa rede não existisse, mas foi somente em 2012 que o aplicativo se espalhou aqui pelo Brasil. Cinco anos atrás nos comunicávamos por mensagens de texto e a transição para o Whatsapp foi rápida e indolor, mas alterou brutalmente a forma como vivemos e pensamos.

Nós temos mudado muito e nos adaptamos às tecnologias a medida que elas surgem, entretanto às instituições que criamos décadas atrás, sejam elas públicas ou privadas, ainda estão, em grande parte, agarradas a quem nós éramos 30 anos atrás.

Os processos burocráticos criados em outro momento histórico não conseguem acompanhar as mudanças que as tecnologias acarretaram na forma como pensamos. Hoje somos bombardeados por coisas novas a todo tempo e é isso que queremos ver dentro das empresas nas quais trabalhamos. Nos entediamos com maior facilidade, especialmente os jovens, que já nasceram dentro dessa era de mudanças aceleradas.

Queremos respostas rápidas do governo e das instituições públicas, por que nossa vida e nosso pensamento é acelerado. 30 anos atrás já era horrível ter que esperar 10 anos para a solução de uma demanda jurídica, hoje é simplesmente inaceitável. O sistema judiciário brasileiro apenas muito recentemente unificou a utilização de um sistema digital, mas tal sistema já nasceu tecnologicamente ultrapassado, sem falar então nas próprias leis que estão em vigência hoje, mas foram criadas 30, 40 ou 50 anos atrás.

Por sua vez, grande parte das empresas privadas tem tido uma grande taxa de pedidos de demissão e turnover, especialmente em razão de não entenderem como essa mudança ocasionada pelas tecnologias influencia no modo como pensamos e agimos perante ao trabalho.

Hoje temos acesso a novas oportunidades todo o tempo e se algo nos incomoda, se ficamos entediados, se não nos sentimos valorizados, sabemos a onde procurar novas oportunidades e o fator dinheiro e estabilidade têm sido cada vez menos importantes, especialmente para os jovens. Nosso mindset mudou e as empresas, mesmo que percebam isso, não têm sido eficazes em se adaptar a ele.

Diante disso, nas últimas duas décadas o surgimento das chamadas Startups foi uma consequência lógica dessa nova forma de pensar acelerada, além, é claro, do incentivo proveniente das crises que assolaram diversos países. E são elas os novos players que têm assustado grandes empresas já consolidadas no mercado, tudo em razão de sua rapidez e agilidade de adaptação.

Penso nisso como um grande ciclo, uma bola de neve. Inventamos algo que altera a forma como pensamos e assim precisamos inventar outra coisa para se moldar e acompanhar tal mudança, mas isso acarreta também em alterações na forma como vivemos e daí por diante o ciclo continua a se repetir.

Esse ciclo nunca morrerá, muito pelo contrário, ficará muito mais intenso nos próximos anos e as empresas que quiserem sobreviver terão de passar por grandes mudanças estratégicas para começar a entender a nova forma de pensar de seu time e seus clientes!

Lembre-se:

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. – C.D

Letícia Rezende (Analista de Talentos) | Educadoo

Letícia, ou melhor, a Leka é uma pessoa inquieta que fala pelos cotovelos, como diria a mãe dela. Ela ama conhecer coisas novas, viajar, ler, escrever, adora ser desafiada e sair com os amigos nos finais de semana.

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